Marcio Miceli de Oliveira, 45 anos. Escritor, jornalista e criador de conteúdo com IA —
e, no dia a dia, TI na Unimed Leste Fluminense e scout esportivo nas horas vagas.
Casado há dezoito anos com a enfermeira Andréa, pai da Giovanna (7) e do Shih Tzu Apolo (3).
Torcedor do Fluminense, amante de cinema, teatro, boa música, praia, viagens e programas em família.
No ar: o livro É GOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLL! na Amazon e o canal
Spa do Caos no YouTube. Em breve:
A Ilha Sinistra, Coquetel Mortal e Aventuras no Paraíso.
Livro
É GOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLL!
— O rádio e a popularização do futebol no Brasil. Disponível na Amazon KDP.
Sâmia & LuchoO casal do “American Dream”IrinaBúlgara estressadaArdaA TurcaOlenkaBailarina russa
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Romance · AventuraAventuras no ParaísoNovembro de 2026
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Leia o primeiro capítulo de A Ilha Sinistra e Coquetel Mortal — lançamentos de outubro de 2026
Terror
A Ilha Sinistra
Lançamento: outubro de 2026
Sinopse
Dezembro, verão escaldante no Rio de Janeiro. Doze amigos partem da Praia da Barra a bordo de um barco para dias de sol e liberdade longe da cidade. No meio do caminho, o motor falha sem explicação e a embarcação, como se guiada por uma força invisível, encalha numa ilha silenciosa demais. Na areia, uma placa antiga dá as boas-vindas: “WELCOME TO SUPERNATURAL ISLAND!”.
Sem como voltar, o grupo se hospeda na The Lights Inn, uma pousada barata cheia de hóspedes que não falam, não sorriem e parecem não enxergar ninguém. Ao cair da noite, a neblina cerca o prédio, vozes sussurram nos travesseiros, vultos caminham dentro do mar e um dos amigos começa a mudar de um jeito impossível de explicar.
Entalhadas numa árvore, quatro palavras resumem o pesadelo: sobrenatural, ilha, mortos-vivos, trevas. Agora, a única pergunta que importa é quem conseguirá sair vivo da Ilha Sinistra.
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CAPÍTULO 1 : CHEGADA À ILHA!
É tempo de verão no Brasil. Sol, calor, muita praia e festa, do jeito que o brasileiro gosta. O verão parecia ter dominado completamente o país. As praias estavam lotadas, os quiosques trabalhavam sem parar e o calor fazia o ar vibrar sobre o asfalto. Para milhões de pessoas, aquela era a melhor época do ano. Um grupo de amigos sentia-se relativamente entediado de sempre passar o verão no Brasil. Queria mudar, viajar para algum lugar diferente. Já não havia novidade nos mesmos lugares, nas mesmas paisagens e nos mesmos passeios repetidos ano após ano. Todos buscavam algo novo. Uma experiência capaz de quebrar a rotina. Mas queriam passar um tempo a sós, já que eram doze pessoas, seis casais. Muita gente... apesar do tamanho do grupo, todos se conheciam muito bem. Haviam viajado juntos outras vezes, frequentavam os mesmos círculos sociais e compartilhavam o mesmo espírito aventureiro. Viviam bem. Tinham dinheiro suficiente para uma viagem completa, com direito a hospedagem, passeios e tudo mais. Estavam empolgados. Iriam viajar para uma ilha no Pacífico, uma ilha que não fosse muito visitada, já que queriam sossego. O isolamento fazia parte do plano. Quanto menos turistas encontrassem pelo caminho, melhor. Procuravam um lugar tranquilo, distante do movimento das grandes cidades e das praias mais famosas. Provavelmente não iriam de avião. A ilha que pretendiam visitar era muito pequena e não possuía aeroporto. Tinham um barco que um deles havia ganhado de aniversário alguns anos antes. E ele era grande o suficiente para as doze pessoas que estariam presentes no passeio. A embarcação encontrava-se em ótimo estado de conservação e parecia perfeitamente capaz de realizar aquela viagem. Pelo menos era o que todos acreditavam naquele momento. Pretendiam ficar cerca de uma semana na ilha, aproveitando o seu sol e a sua natureza.
A ideia de passar vários dias longe do mundo civilizado agradava a todos. Seria uma oportunidade para descansar, nadar, explorar a ilha e esquecer temporariamente as preocupações do cotidiano.
Saíram na sexta-feira pela manhã, dia 18 de dezembro, uma semana antes do Natal, por volta das oito horas, vestidos a caráter. A animação era evidente. Alguns conversavam sem parar sobre tudo o que pretendiam fazer durante a viagem. Outros simplesmente aguardavam o momento da partida com um sorriso no rosto. Era uma manhã abafada no Rio de Janeiro. Às oito horas da manhã, a temperatura já alcançava 31 graus. O calor fazia o ar parecer pesado. Mesmo tão cedo, o sol já brilhava com força e prometia mais um típico dia de verão carioca. Robson, Sérgio, Marcos, Sílvio, Juliano, Tadeu, Jade, Lúcia, Joana, Lisa, Isabela e Verônica estavam prontos para sair de suas respectivas casas e combinaram encontrar-se na Praia da Barra, em um daqueles quiosques.
As bagagens já estavam preparadas desde a noite anterior. Ninguém queria correr o risco de esquecer algo importante para uma viagem que deveria durar vários dias. Era época de verão e fazia muito calor. A praia já se encontrava relativamente cheia.
Banhistas caminhavam pela areia, vendedores ambulantes circulavam entre os guarda-sóis e os quiosques começavam a receber os primeiros clientes do dia. Sérgio e Isabela demoraram mais para chegar, já que o barco era deles. Enquanto aguardavam, os demais observavam o mar e comentavam sobre o passeio que estava prestes a começar. A expectativa aumentava a cada minuto. Assim que chegaram, pediram a ajuda das pessoas para que os ajudassem a tirar o barco da caminhonete.
Além da turma, algumas pessoas mostraram-se bastante prestativas e ajudaram. A embarcação era maior do que muitos imaginavam e retirou curiosos de suas rotinas por alguns minutos. Alguns observavam o grupo com interesse, enquanto outros simplesmente ofereciam ajuda e voltavam para seus próprios passeios. O maior problema foi arrastar o barco até o mar. A areia dificultava o trabalho. A cada poucos metros era necessário fazer mais força para manter a embarcação em movimento. O calor do verão também não ajudava. Em poucos minutos, muitos já estavam suando intensamente. Depois tudo se tornou mais fácil e, já na água, todos entraram no barco.
A proximidade do mar trouxe alívio imediato. A brisa amenizou a sensação de abafamento que dominava a praia desde cedo. Todos os rapazes estavam de shorts. Algumas moças usavam biquínis por baixo das roupas, mas Jade e Verônica estavam de calças jeans. Tiveram que arregaçá-las para entrar no mar e depois no barco. As duas pararam por alguns instantes próximas à água e dobraram cuidadosamente as barras das calças acima dos tornozelos para evitar que o tecido ficasse encharcado. A espuma das primeiras ondas envolveu seus pés enquanto caminhavam em direção à embarcação. A água era consideravelmente mais fria do que a areia aquecida pelo sol. Verônica olhou rapidamente para as barras da calça para verificar se continuavam secas. Jade fez o mesmo antes de subir a bordo. Apesar de parecer um detalhe insignificante, aquele seria um dos últimos momentos verdadeiramente normais da viagem.
Jade e Verônica iniciam a travessia para a ilha desconhecida. Ainda não imaginam que aquela viagem mudará suas vidas para sempre.
Os demais já ocupavam seus lugares quando as duas terminaram de embarcar. A movimentação da praia continuava intensa atrás deles. Pessoas caminhavam pela areia, crianças brincavam próximas à água e vendedores ambulantes seguiam oferecendo seus produtos. Pouco a pouco, porém, toda aquela agitação começaria a ficar para trás. Sem perceber, os doze amigos estavam prestes a se afastar não apenas do litoral, mas também de tudo o que conheciam como normal. Era um barco excelente, bastante seguro e resistente, embora nenhum deles fosse gordinho. Todos malhavam e mantinham o corpo em forma. As moças pesavam entre 60 e 62 kg, enquanto os rapazes variavam entre 70 e 72 kg.
A embarcação havia sido cuidadosamente preparada para a viagem. Sérgio tinha orgulho do barco e fazia questão de mantê-lo sempre em boas condições. Observando-o naquele momento, ninguém teria motivos para desconfiar que algum problema estava prestes a acontecer.
Aos poucos, iam se distanciando da praia e já se encontravam mar adentro. O litoral do Rio de Janeiro tornava-se cada vez menor atrás deles. Os prédios, os quiosques e a movimentação da praia desapareciam lentamente no horizonte, até se transformarem em pequenos pontos quase imperceptíveis. Todos estavam relaxados, sentiam a brisa em seus rostos e, ao mesmo tempo, medo. Era uma sensação contraditória. A viagem representava liberdade, aventura e diversão. Porém, também existia aquele receio natural provocado pelo oceano e pela distância da terra firme. Estavam ali, no meio do Oceano Atlântico. Nenhuma alma viva à vista. Ao redor havia apenas água e céu. Nenhuma embarcação passava por perto. Nenhum ruído além do motor e das ondas quebrando contra o casco. Já pensou se o barco não fosse seguro o suficiente e afundasse? Era o destino...mas tudo corria bem até aquele momento. Isabela e Joana olhavam para o azul cintilante do oceano. As duas permaneciam próximas à lateral da embarcação, observando o movimento constante da água. O reflexo do sol criava milhares de pontos brilhantes espalhados pela superfície. Podiam ver os peixes no fundo do oceano nadando para todos os lados. A transparência da água impressionava. Em vários momentos era possível acompanhar pequenos cardumes atravessando as regiões mais rasas.
A temperatura estava bem mais agradável. A água parecia mais fria, afinal já estavam em alto-mar, completamente diferente do clima da praia. A brisa constante ajudava a dissipar o calor sufocante que haviam enfrentado no continente. Muitos já não sentiam falta da sombra dos quiosques nem da areia quente da Praia da Barra. Podiam ver algumas pequenas ilhas se aproximando, mas nenhuma delas parecia interessar ao grupo. Algumas eram apenas formações rochosas cercadas de vegetação. Outras pareciam desabitadas. Nenhuma possuía aquilo que procuravam. Queriam uma diferente e que não fosse tão distante. A intenção era encontrar um lugar que reunisse tranquilidade e beleza. Um refúgio afastado dos roteiros turísticos tradicionais, onde pudessem aproveitar as férias sem interrupções. Durante algum tempo, a viagem continuou exatamente como haviam planejado. O céu permanecia limpo. O mar permanecia calmo. O motor funcionava perfeitamente. E nada parecia capaz de transformar aquela aventura em algo diferente de uma simples semana de descanso. Mas o destino já havia começado a traçar um caminho completamente diferente para os doze amigos. De repente, no exato momento em que se aproximavam de uma ilha, o barco repentinamente parou de funcionar. O acontecimento foi tão inesperado que ninguém reagiu imediatamente.
Durante alguns segundos, os ocupantes da embarcação apenas se entreolharam, tentando compreender o que estava acontecendo. Até aquele momento, tudo havia transcorrido perfeitamente. A viagem era agradável. O mar permanecia calmo. E o barco funcionava sem apresentar qualquer problema. Por isso, a falha repentina causou espanto imediato. Um ronco anormal do motor foi emitido, e todos se desesperaram com a situação. O som era diferente de tudo o que haviam ouvido durante a viagem. Não parecia uma simples falha mecânica. Era um ruído grave. Metálico. Irregular. Como se alguma peça estivesse sendo forçada além do limite. O silêncio que veio logo depois foi ainda pior. Sem o motor funcionando, o oceano pareceu subitamente maior. Mais vazio. Mais ameaçador.
Juliano, que era quem dirigia o barco, estava pronto para mudar seu curso ao aproximar-se daquela ilha e não entendeu nada. Ele olhou rapidamente para os instrumentos. Verificou os controles. Tentou religar o sistema. Nada parecia explicar o que havia acontecido. Não era especialista em mecânica, mas conhecia suficientemente a embarcação para saber que aquela pane surgira sem qualquer aviso. Por alguns instantes, todos imaginaram a mesma coisa. E se o barco tivesse parado definitivamente? E se ficassem presos em pleno oceano? A possibilidade era assustadora. Afinal, já estavam longe da costa. Muito mais longe do que gostariam de admitir. A embarcação continuou avançando lentamente sobre as águas. Sem força. Sem velocidade. Como se estivesse sendo conduzida por algo invisível. Ninguém comentou aquilo. Mas vários perceberam. Mesmo sem o motor funcionando, o barco continuava seguindo em direção à ilha. O céu permanecia claro. O mar permanecia relativamente tranquilo. Mas a atmosfera da viagem começava a mudar. A aventura descontraída das férias dava lugar a uma sensação de insegurança que crescia a cada minuto. Nenhum deles sabia ainda. Mas aquele problema mecânico marcava o exato instante em que suas férias deixavam de ser uma simples viagem e começavam a se transformar em algo completamente diferente.
Lentamente, o barco foi parando até embicar naquela ilha. O movimento aconteceu de forma estranha. Mesmo sem o motor funcionando adequadamente, a embarcação continuou avançando até alcançar a faixa de areia. Durante alguns instantes, ninguém falou nada. Apenas observavam o lugar para onde haviam sido conduzidos. Era uma ilha silenciosa e não tão pequena. À distância, parecia apenas mais uma das várias ilhas espalhadas pelo oceano. Porém, agora que estavam próximos, percebiam que ela era muito maior do que haviam imaginado. A vegetação era densa. Árvores altas ocupavam boa parte da paisagem e escondiam completamente o interior da ilha. Todos sentiram-se melhor, afinal o barco havia parado quando já estavam em terra firme. O alívio foi imediato. O medo de todos era que o barco parasse de funcionar no meio do mar, onde eles não teriam para onde ir.
Comparado à possibilidade de ficarem à deriva, aquele cenário parecia muito mais confortável. Pelo menos estavam em solo firme. Pelo menos não corriam risco imediato. Não se mostravam satisfeitos com aquela ilha. Era muito silenciosa. Silenciosa demais. A princípio, aquilo pareceu apenas uma característica peculiar do lugar. Com o passar dos segundos, porém, a sensação começou a mudar. Era difícil explicar. Faltava alguma coisa. Não havia vozes. Não havia música. Não havia embarcações próximas. Não havia sequer o movimento normal que costumava existir em lugares turísticos. Do jeito que eles queriam, mas não tanto assim. Aquela observação resumiu perfeitamente o que todos sentiam. Tinham procurado tranquilidade. Tinham procurado isolamento. Mas o silêncio daquela ilha parecia diferente. Parecia excessivo. Artificial. Quase como se o próprio lugar estivesse prendendo a respiração. Alguns começaram a observar melhor os arredores. Outros procuravam sinais de moradores ou visitantes. Mas, naquele primeiro momento, encontraram apenas árvores, areia e uma estranha sensação de desconforto que crescia lentamente dentro de cada um. O calor do verão continuava presente. A luz do sol continuava forte. O cenário parecia bonito. Mesmo assim, algo naquela ilha provocava arrepios difíceis de ignorar. Nenhum deles imaginava que aquele seria apenas o primeiro aviso. A ilha ainda escondia muitos segredos. E eles estavam prestes a descobrir o primeiro deles.
Todos desceram do barco e avistaram uma placa que dizia: "WELCOME TO SUPERNATURAL ISLAND!" A placa parecia antiga. A madeira apresentava sinais evidentes da ação do tempo, do vento e da maresia. Mesmo assim, as letras continuavam perfeitamente legíveis. O grupo aproximou-se naturalmente para ler o aviso. Ninguém estranhou o nome. Pelo contrário. Muitos lugares turísticos utilizavam nomes exóticos para chamar a atenção dos visitantes. Supernatural Island parecia apenas mais um desses casos. Nenhum deles imaginava que aquele nome era muito mais do que uma simples estratégia de divulgação.
A placa da Ilha Sobrenatural surge entre a mata fechada. O primeiro aviso estava diante deles, mas ninguém percebeu.
Não desconfiaram de nada ao ver o nome da ilha. O que mais os animou foi que logo depois avistaram um anúncio que dizia o seguinte:
"THE LIGHTS INN: ROOMS FOR US$ 30 EACH A DAY." A placa encontrava-se instalada poucos metros adiante, próxima a uma trilha que seguia para o interior da ilha. O anúncio chamou imediatamente a atenção de todos. Pelos nomes em inglês, deu para notar que a ilha havia sido colonizada por ingleses. Como a maioria deles estava cursando inglês e Robson e Tadeu já haviam concluído seus respectivos cursos, não tiveram dificuldade para entender a mensagem. Pousada das Luzes: Quartos por 30 dólares a diária. O preço pareceu surpreendentemente baixo. Principalmente para uma ilha aparentemente isolada no meio do oceano. Alguns chegaram a comentar isso. Outros apenas enxergaram a oportunidade de resolver imediatamente o problema da hospedagem. Afinal, ainda não sabiam o que fariam com o barco. Apesar de estranharem o preço, não pensaram duas vezes. Naquele momento, qualquer lugar confortável para passar a noite era mais do que bem-vindo. Foram direto para a pousada. Já que não tinham como sair dali, precisavam se contentar com aquela ilha. A trilha era simples e relativamente fácil de seguir. Enquanto caminhavam, observavam melhor a vegetação ao redor. As árvores formavam corredores naturais de sombra. O vento soprava suavemente entre os galhos. Mesmo assim, o silêncio continuava chamando a atenção. Quanto mais avançavam, mais percebiam a ausência de sons comuns. Não havia pássaros cantando. Não havia animais visíveis. Não havia sequer o ruído distante de outras pessoas. A ilha parecia bonita. Mas estranhamente vazia. A poucos minutos da chegada, a expectativa tomou conta do grupo. Estavam curiosos para conhecer a pousada. Curiosos para descobrir como seria passar uma semana naquele lugar isolado. E completamente incapazes de imaginar o que os aguardava. Quando se aproximaram da pousada, ficaram maravilhados com tamanha imensidão.
A construção era muito maior do que imaginavam encontrar em uma ilha aparentemente tão isolada. À medida que se aproximavam, conseguiam perceber melhor seus detalhes arquitetônicos, os vários andares e a imponência que contrastava com o silêncio da região. Por alguns instantes, o problema do barco pareceu menos importante. Talvez a situação não fosse tão ruim assim. Talvez aquela ilha acabasse se transformando exatamente nas férias que procuravam. A pousada ficava bem em frente a uma praia. Da sua entrada principal era possível observar a extensa faixa de areia e o mar se estendendo até o horizonte. O cenário era bonito e transmitia uma estranha sensação de tranquilidade. Havia muitas pessoas tomando sol, mas todas permaneciam em silêncio. Esse foi o primeiro detalhe que realmente chamou a atenção do grupo. As pessoas caminhavam. Sentavam-se na areia. Observavam o mar. Mas quase ninguém conversava. Não havia gargalhadas. Não havia música. Não havia qualquer sinal da animação normalmente associada a um local de férias. Nem parecia que a ilha estava cheia. Quanto mais observavam, mais estranha aquela impressão se tornava. Existiam hóspedes. Existiam frequentadores. Existia movimento. Mas, ao mesmo tempo, parecia faltar vida naquele lugar. Alguns integrantes do grupo trocaram olhares discretos. Outros preferiram ignorar a sensação. Afinal, tinham acabado de chegar. Talvez os costumes locais fossem diferentes. Talvez as pessoas simplesmente fossem mais reservadas. Mesmo assim, o silêncio continuava chamando atenção. O vento soprava suavemente vindo do mar. As ondas quebravam ritmicamente na praia. E aquele parecia ser o único som natural presente na paisagem. O restante permanecia mergulhado numa calma quase desconfortável. Sem perder tempo, seguiram em direção à entrada principal. Estavam cansados da viagem.
Precisavam de quartos. Precisavam organizar suas coisas. E, acima de tudo, precisavam descobrir o que fariam com o barco que havia parado de funcionar. Foram logo entrando na pousada sem perder tempo. Enquanto atravessavam a entrada principal, nenhum deles percebeu que acabava de dar o primeiro passo rumo aos acontecimentos mais estranhos de suas vidas. O que havia começado como uma simples viagem de férias estava prestes a se transformar em algo completamente diferente. Algo que nenhum deles conseguiria esquecer.
Terror
Coquetel Mortal
Lançamento: outubro de 2026
Sinopse
Rio de Janeiro, inverno. No Alto da Boa Vista, entre a garoa fina e a névoa que desce pelas encostas, a rica família Sampaio abre as portas de seu imponente casarão para um coquetel de gala: duzentos convidados da elite carioca, orquestra, buffet impecável e a imprensa a postos para registrar cada detalhe.
Mas a festa perfeita começa a desmoronar antes da meia-noite. Duas poças de sangue surgem na cozinha enfumaçada, um funcionário desaparece e, quando os convidados tentam ir embora, descobrem que os portões estão trancados. Isolados do mundo, eles passam a assistir a uma sequência de mortes brutais — e, na testa de cada vítima, o assassino deixa uma letra escrita com sangue.
Que palavra está sendo formada? Quem, entre garçons, músicos, jornalistas e familiares, está por trás do massacre? Quando as luzes se apagam, a única certeza é que ninguém está seguro dentro do casarão.
Um suspense sombrio, repleto de mistério e reviravoltas, em que cada página aproxima o leitor de um enigma mortal.
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CAPÍTULO I: A FESTA
Rio de Janeiro, mês de junho, inverno brasileiro. A temperatura estava baixa no Alto da Boa Vista, em torno de 18 graus, e um ar sinistro pairava no ambiente, misturando-se à névoa fina que descia pelas encostas. Talvez fosse apenas o clima pesado trazido pela chegada do inverno: garoa miúda, tempo completamente cinzento e um ar gelado que doía até os ossos e parecia penetrar devagar pelas frestas, deixando tudo mais silencioso. Apesar disso, havia sido programada uma festa. Sim, uma festa: o lançamento de uma nova linha de produtos no mercado, com a elite carioca presente. Um coquetel com tudo a que se tinha direito: buffet, orquestra, dança, prêmios etc. A festa prometia muito sucesso, sairia nas páginas dos jornais, tudo como mandava o figurino. A família Sampaio seria a responsável pela festa, uma família de cinco pessoas: o sr. e a sra. Sampaio e seus três filhos, Juliana, Lucas e Lígia. Era uma família bastante gabaritada, porém muito humilde. A festa estava marcada para as nove horas da noite e não tinha hora para terminar, pois, se tudo corresse bem, a tendência era que avançasse pela madrugada, enquanto o frio continuaria envolvendo o casarão e seus arredores.
Quando tudo já estava programado, por volta das cinco horas da tarde, a sra. Sampaio e suas duas filhas foram ao salão de beleza cuidar do visual. Cortaram o cabelo, fizeram as unhas dos pés e das mãos, tudo a que tinham direito; afinal, não era sempre que havia festas tão importantes como aquela, ainda mais porque elas eram bastante vaidosas. Lá fora, a tarde já parecia envelhecida pelo céu cinzento, e a garoa embaçava as vidraças, tornando o calor do salão ainda mais acolhedor.
Sra. Rosa Sampaio, Juliana e Lígia no salão de beleza, sob o contraste entre a garoa fria e o ambiente acolhedor.
O sr. Sampaio e seu filho saíram para acertar os últimos detalhes do buffet e da orquestra, pois precisavam ter certeza de que nada poderia dar errado. Conferiam cada ponto com cuidado, enquanto o vento frio percorria as ruas e levantava a umidade acumulada nas calçadas. A festa teria aproximadamente duzentos convidados, além da imprensa, que deveria reunir cerca de cinquenta pessoas. Era gente demais para qualquer falha passar despercebida, e essa consciência tornava os preparativos ainda mais tensos.
Tudo parecia tranquilo. Por volta das sete horas da noite, os garçons do buffet começaram a preparar tudo: colocar as mesas, enfeitá-las, instalar o som, organizar a mesa de frios e a de drinques, enfim, cumprir todas as tarefas do buffet. O casarão ainda estava quase vazio, e o ruído dos passos e das bandejas ecoava pelos espaços amplos, misturando-se ao som discreto do vento do lado de fora. A iluminação começava a ganhar força à medida que a noite caía, projetando sombras compridas pelos cantos e corredores. Mesmo assim, o trabalho seguia em ordem, com cheiro de comida recém-preparada e o tilintar constante das louças quebrando o silêncio entre uma tarefa e outra.
Assim que chegaram em casa, a sra. Sampaio e suas duas filhas foram tomar banho e se vestir, para que, pouco antes das nove, já estivessem prontas para receber os convidados, que poderiam começar a chegar a partir das oito e quarenta. A água quente ajudava a afastar por alguns minutos o frio que se intensificava do lado de fora, embora os vidros permanecessem úmidos e a noite parecesse cada vez mais fechada. Dentro da casa, os movimentos se sucediam depressa, entre portas abrindo, passos pelos corredores e os últimos cuidados diante dos espelhos. Havia expectativa no ar, mas também uma pressa silenciosa para que nada atrasasse o início da recepção.
O frio aumentava; naquele momento, a temperatura devia estar por volta dos 15 graus, um frio seco e atuante, que ressecava os lábios e tornava a respiração visível por instantes. A sra. Sampaio estava elegantemente vestida: trajava um vestido longo, de mangas compridas e babados, luvas delicadas, colares de pérolas e um belo par de sapatos dourados, mais ou menos na cor de seu longo vestido. Juliana estava mais discreta. Vestia um belo blazer preto, juntamente com calças jeans e um par de sandálias, além de suas joias de sempre; mas era tão atraente e bonita que sua roupa não fazia muita diferença. A irmã Lígia preferiu uma saia comprida e uma bela blusa, com um blazer por cima, e estava cheia de joias de ouro por todo o corpo. Mais velha do que Juliana, era bem menos atraente, mas também muito simpática. O sr. Sampaio e seu filho Lucas estavam vestidos como mandava o figurino: terno, gravata, sapatos, camisas sociais e um Rolex no pulso. Sob a luz da casa, os metais e as joias refletiam pequenos brilhos, enquanto, além das janelas, a noite permanecia opaca, fria e sem cor.
Estava tudo pronto para o início da festa. Quando eram exatamente 20h45, os convidados começaram a chegar, e a imprensa já estava a postos, em seus devidos lugares. A entrada logo se encheu de vozes, cumprimentos e passos apressados, enquanto o vento frio entrava por alguns instantes sempre que uma porta se abria. A casa de festas era tão grande que havia até um local reservado somente para a imprensa, um pouco isolado do restante dos convidados e bem perto da cozinha. O local era tão ruim que, quando os salgadinhos eram fritos, o cheiro da gordura se espalhava entre as mesas da imprensa e permanecia no ar, denso e quente, em contraste com o frio que vinha de fora. Mas eles não podiam reclamar, já que, apesar disso, a família Sampaio havia sido gentil ao permitir que uma festa tão importante fosse aberta à imprensa, que às vezes abusava do sensacionalismo e inventava histórias, como não poderia ser diferente. Entre uma conversa e outra, os jornalistas observavam o movimento, atentos a qualquer detalhe que pudesse render uma boa notícia.
Não eram apenas convidados brasileiros; havia também estrangeiros, entre eles espanhóis, americanos e até franceses, que estavam maravilhados com o tamanho da Casa de Festas do Alto da Boa Vista. Observavam os espaços amplos, a iluminação e o movimento com curiosidade, trocando impressões em vozes baixas enquanto o frio da serra se insinuava pelas áreas abertas. Para muitos deles, o casarão parecia ainda maior sob o céu escuro e pesado, cercado pela vegetação úmida que se movia discretamente ao vento.
Convidados socializam sob a garoa e a luz dos holofotes e candelabros, enquanto uma silhueta encasacada observa entre as árvores.
A festa começou bem animada por volta das 21h15. Os garçons já serviam salgadinhos e bebidas, e quem quisesse se servir dos frios podia ficar à vontade. Nada de refrigerantes: a bebida mais “light” da festa era batida ou coquetel de frutas. Doses de uísque eram bastante comuns, assim como cerveja, chope, vodca e até caipirinha. Os salgadinhos eram fritos na hora; tudo estava muito bom e animado, apesar do frio intenso, que ora fazia a temperatura cair para 13 graus, ora voltar aos 14. O ar gelado rondava a piscina e tocava a pele exposta, mas era vencido, ao menos por alguns instantes, pelo calor das bebidas, da música e dos corpos em movimento. Os mais novos dançavam sem parar, acompanhando as músicas bem à beira da piscina, onde a água escura refletia as luzes trêmulas da festa. Algumas mulheres até tiraram os sapatos para dançar melhor, e nem o contato dos pés com o chão frio as fazia parar, tamanha era a empolgação. O som abafava quase tudo: o vento nas folhas, o murmúrio da água e os ruídos distantes do casarão desapareciam sob a animação dos convidados.
Subitamente, ouviram-se berros vindos do salão de festas da casa. Foram gritos breves, agudos e estranhos, cortando por um instante os sons abafados que escapavam pelos corredores. Em um sobressalto, dois garçons que estavam perto do local largaram desesperadamente as bandejas no chão, que, por sorte, estavam vazias. O metal bateu no piso com um estrondo seco e ecoou pelo espaço, mas o barulho se perdeu sob a música. Como o som estava alto e todos conversavam, ninguém percebeu os berros; apenas os garçons os ouviram. Eles trocaram um olhar rápido, sentindo o corpo se arrepiar apesar da correria e do calor do trabalho, e seguiram na direção de onde os gritos tinham vindo. Quando chegaram ao local, surpreenderam-se. O ambiente parecia diferente, tomado por um silêncio pesado demais para um lugar tão próximo de uma festa.
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